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Episódio 15

Sorte, Notícias e Sabores

Em Troia, três antigos colegas trocaram uma carreira na banca por um negócio que começaram do zero. António Elias, Vítor Rodeia e Nuno Carreiro falam-nos do Ardina Caffé no 15.º episódio de “Histórias de Quem dá Sorte”.

“António, Vítor e Nuno. Por isso é que a empresa se chama AVN”, resume a apresentadora Lara Afonso, à entrada do espaço onde se lê “Ardina Caffé – Sorte, Notícias e Sabores”, na península de Troia. Foi há dez anos que os três amigos se lançaram num setor que não conheciam, apostando num negócio que junta café, papelaria e os Jogos Santa Casa. 

Depois de cerca de duas décadas em instituições financeiras, os três colegas decidiram mudar de vida. Como diz Vítor Rodeia, “é sempre altura para arriscar” e estamos “sempre a tempo de o fazer”, pelo que, quando surgiu a oportunidade, não hesitaram, até porque encontraram na nova atividade “um paralelismo que tinha que ver com os clientes e com pessoas”. 

O arranque, contudo, não foi imediato. “Saímos com uma ambição, sabíamos o que queríamos fazer, mas não conseguimos fazê-lo logo”, refere António Elias. Foi preciso aprender quase tudo de novo, conta Nuno Carreiro, mas não partiram de mãos vazias: da experiência na banca trouxeram “boas práticas” que aplicaram ao novo negócio. E, apesar do receio de mudar de setor, perceberam que “havia muita coisa para fazer e diferente”. Convictos de que “a sorte se cria”, os sócios fazem hoje, dez anos depois, um balanço muito positivo. 

A sorte começa no nome 

O nome do estabelecimento remete para os antigos ardinas, os vendedores de jornais que davam as notícias do dia nas ruas, mas é a palavra “sorte”, presente ainda antes de os Jogos Santa Casa chegarem ao balcão, que anuncia o resto da história. “Quando abrimos a primeira casa, já com o nome Ardina Caffé – Sorte, Notícias e Sabores, esta palavra prendia-se com a questão da mediação”, explica António Elias. Tornar-se mediador não aconteceu de um dia para o outro, já que o objetivo só se concretizou ao fim de três anos; a partir daí, o negócio foi crescendo, com mais casas e mais mediações, sendo a de Troia, em funcionamento há cerca de dois anos, a terceira que a empresa tem com a Santa Casa. “Tem corrido muito bem”, resume. 

Entre as histórias que os três sócios guardam na memória, há uma que se destaca. “A de um cliente que tirou uma raspadinha de 10 euros, a Mega Pé-de-Meia, e que recebeu o prémio de 3 mil euros durante 14 anos”, recorda Vítor Rodeia, a propósito de um prémio pago todos os meses. “O que é uma coisa incrível, o cliente estava simplesmente embasbacado com o que estava a acontecer.” 

Alegrias como esta também chegam ao outro lado do balcão e “muito sinceramente é um orgulho podermos dar o prémio ao cliente (nós não, a Santa Casa), porque a felicidade é de tal forma que é fantástico para toda a gente”. 

Mais do que uma equipa 

Sobre o que distingue o Ardina Caffé, os sócios apontam primeiro para a estética cuidada das lojas, com “um aspeto muito clean”, na descrição de Vítor Rodeia, e para o próprio conceito do café, servido ao balcão ao lado das notícias, das raspadinhas e da papelaria, que o afasta dos quiosques tradicionais. Mas o essencial, diz Vítor Rodeia, está noutro lado: “O que nos diferencia mesmo são as nossas pessoas, é a nossa equipa. Como costumamos dizer, nós não somos uma equipa, somos uma família.” Uma relação próxima no dia a dia que é marca da casa e se estende a todos os clientes. 

Olhando para trás, os conselhos que dariam a si próprios no momento da decisão vão todos no mesmo sentido. “Diria para avançar com toda a força como avançámos numa fase inicial”, diz Nuno Carreiro, “mas com menos ansiedade, porque realmente este caminho tem sido um projeto deveras enriquecedor. Com desafios, com situações que nos obrigam a ir às vezes ao limite do nosso esforço, mas tem valido a pena.” “E não ter medo de arriscar. Passados dez anos, valeu a pena”, remata António Elias. 

Uma rede em crescimento 

O Ardina Caffé é hoje um de cerca de 5.000 mediadores dos Jogos Santa Casa em Portugal, na maioria micro, pequenas e médias empresas que, no conjunto, sustentam milhares de postos de trabalho diretos e são espaços de confiança onde a sorte se tenta sempre com responsabilidade. É também através desta rede que a quase totalidade do que se aposta regressa à sociedade, já que 97% do valor jogado reverte para prémios e para causas sociais nas áreas da saúde, da solidariedade, do desporto e da cultura. Na península de Troia, no distrito de Setúbal, a sorte que três ex-bancários decidiram criar é, hoje, também a sorte de quem aposta. 

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