Na Praça Luís de Camões, a Casa dos Rapazes é, ao mesmo tempo, uma loja de roupa e um ponto de venda dos Jogos Santa Casa, uma combinação que nunca foi estranha em Vila Pouca de Aguiar. Foi esta a história que a apresentadora Lara Afonso conheceu.
A Casa dos Rapazes nasceu em 1958 como um espaço bem diferente do que é hoje. “Começou como comércio tradicional, que era o que se usava na altura, com mercearia e artigos a metro”, recorda Rui Ribeiro. Os Jogos Santa Casa chegaram depois. Hoje, além dos Jogos Sociais, o estabelecimento também vende roupa e artigos de desporto. Esta multiplicidade de negócios sob o mesmo teto não causa problemas, garante Filomena Ribeiro, que trabalha na Casa dos Rapazes desde 2007. “Vive-se bem, sem problema”, afiança Filomena, que tem tantas histórias inéditas para contar ao longo destes anos que já pensou “fazer um livro” com as mesmas.
Uma dessas histórias aconteceu recentemente, quando um apostador ganhou cinco mil euros numa raspadinha. Refira-se que foi Rui quem tratou de “todo o processo, para receber o dinheiro”, sem que o feliz contemplado tenha tido de se deslocar ao Porto. “Isso é um serviço que nós prestamos, um serviço social também.”
Clientes-amigos
Rui fez uma cadeira, mas não para descansar as pernas quando está a trabalhar. Essa cadeira tem um fim diferente: “É para sentar as pessoas quando lhes damos a notícia de que ganharam um prémio.” O mediador conta que a cadeira já foi utilizada algumas vezes e revela que as pessoas “entram sempre na brincadeira”. Esta é uma das formas de ter aquele “conceito de um cliente, um amigo”. “É assim que se constrói a amizade entre o cliente e a casa e, daí, a fidelização das pessoas.”
Uma questão de confiança
Rui e Filomena são os rostos do quarto episódio da iniciativa “Histórias de Quem dá Sorte” que, ao longo de vinte semanas, percorre o país para dar a conhecer mediadores como eles, que mantêm a ligação diária entre os portugueses e os Jogos Santa Casa.
A mensagem de Rui para quem começa agora nesta profissão resume-se numa palavra: “Seriedade. A pessoa tem que ter confiança onde vai comprar a raspadinha, onde lhe vão tratar de um prémio. É uma forma de ficar fidelizado à casa.”
Para Filomena, o que faz a diferença “é o trabalho em si, o ambiente de trabalho e, claro, as pessoas.” Na Casa dos Rapazes, a confiança não sai de moda e a sorte continua a tentar-se todos os dias.