No coração da cidade onde nasceu Portugal, a poucos passos das principais zonas comerciais e turísticas, o emblemático Quiosque do Cantinho existe desde 1951 e está aberto todos os dias da semana. Bem conhecido entre os vimaranenses, funciona não só como ponto de venda de jornais, publicações, tabacaria e dos Jogos Santa Casa, mas também como lugar de encontro com clientes de sempre e outros de passagem. Foi lá que a apresentadora Lara Afonso conheceu Manuel e Manuela e descobriu a história de um bilhete de lotaria que acabou por transformar o destino de um homem e de um negócio.
Manuel comprava o mesmo número todas as semanas, sem falhar. No dia 21 de fevereiro de 1980, o número 21964 saiu premiado com o segundo prémio de 200 contos. “Sinto como se fosse hoje”, diz, mais de quatro décadas depois. Um ano mais tarde, usou o valor do prémio para comprar o quiosque em que trabalhava e que o dono tinha posto à venda, e ali ficou até 2025, numa história que resume sem hesitar: “Mudou a minha vida. E garanto-lhe que, ao longo desta vida longa da Santa Casa, mudou a vida de milhares de pessoas.”
Hoje, Manuel já não é dono do quiosque, mas continua a passar por lá quase todos os dias. “Agora sou cliente e sou amigo dela”, diz, sobre Manuela, que assumiu o negócio há um ano. O vínculo ao lugar não desapareceu com a venda, fruto de “uma ligação umbilical que marca muito”.
O cantinho da Manuela
No primeiro ano como responsável pelo cantinho mais famoso de Guimarães, Manuela já tem muito para contar. “Uma história que me marcou foi a saída do primeiro prémio da Lotaria Popular a um senhor. Fiquei muito emocionada por ele ter vindo dizer: Olhe, saiu-me o primeiro prémio.”
Dos registos feitos à mão aos sistemas informatizados atuais, muita coisa mudou ao longo dos anos. Para Manuel, essa mudança trouxe também mais rigor: “Agora é melhor, é diferente, facilita e transmite seriedade aos jogos. Foi isso que eu transmiti aqui à senhora. Ela leva à risca, como eu levei, e nunca me arrependo de ser sincero.” O essencial, garante Manuela, mantém-se: “É continuar a fazer um bom trabalho e a receber bem os clientes.”
Uma rede, muitas histórias
Manuel e Manuela protagonizam o segundo episódio de “Histórias de Quem dá Sorte”, uma iniciativa da Medialivre em parceria com os Jogos Santa Casa que, ao longo de vinte semanas, percorre o país à descoberta de vinte mediadores, um por distrito e ilhas. Em Portugal, esta rede integra cerca de 5.000 mediadores, na sua maioria pequenos negócios familiares.
Uma história que me marcou foi a saída do primeiro prémio da Lotaria Popular a um senhor. Fiquei muito emocionada por ele ter vindo dizer: Olhe, saiu-me o primeiro prémio.
Manuela