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Episódio 8

A casa que espalha cultura e distribui sorte 

Em Mangualde, a Papelaria Adrião une três gerações à volta de livros, eventos culturais e apostas nos Jogos Santa Casa. Henrique Silva é o rosto do oitavo episódio de “Histórias de Quem dá Sorte”.

Papelaria, livraria, tertúlias, apostas e 54 anos de tradição partilham o mesmo lugar em Mangualde, no distrito de Viseu. “Esta é uma casa que conta muitas histórias, através dos livros e das pessoas que aqui entram”, nota a apresentadora Lara Afonso, à entrada da loja. Afinal, poucos espaços conseguem juntar cultura e sorte debaixo do mesmo teto, há mais de meio século. 

Uma história de família 

A Papelaria Adrião nasceu a 26 de fevereiro de 1972, quando Adrião Pais Almeida e Silva abriu o negócio na antiga barbearia do avô. Cinco anos depois, o seu filho Henrique, então com 19 anos, assumiu a administração da papelaria. “Temos 54 anos de existência. Os meus filhos já cá passaram e os meus netos já cá andam. Portanto, são três gerações que aqui estão”, conta Henrique Silva. 

Em 2011, abriu a Livraria Adrião e novas valências foram surgindo, sempre com os Jogos Santa Casa presentes. A ligação aos jogos começou com a papelaria, numa época em que o processo era bem diferente: “Éramos o agente 20002, na altura em que não havia raspadinhas, havia apenas aquelas máquinas amarelas com um botão e uma manivela.” Os boletins eram preenchidos e separados manualmente, depois enviados para serem conferidos no Porto ou em Lisboa, e o resultado podia demorar dois ou três dias a chegar. Se hoje tudo mudou e a resposta é imediata, a confiança entre quem aposta e quem está do outro lado do balcão continua a ser a mesma. 

Quando a sorte acontece 

Este laço também se mede pelas histórias que vão ficando, como a de um prémio de cerca de 200 mil contos, antes da vigência da moeda única. Quando Henrique disse ao cliente o valor em questão, este pediu-lhe discrição, senão aparecia-lhe “tudo à porta”. A papelaria cumpriu o sigilo, mas a notícia acabou por se espalhar através da família do feliz contemplado. 

Depois há aqueles clientes que, “como confiam em nós, dizem: Olhe, tome lá os meus boletins, veja se tem alguma coisa”. Isto porque “a conduta que nós tivemos durante estes 54 anos leva as pessoas a entrar no nosso estabelecimento e a saber que encontram pessoas boas atrás do balcão, pessoas credíveis e pessoas muito profissionais”, refere o mediador. 

São episódios como estes que testemunham a relação de confiança cimentada ao longo de gerações. Uma proximidade que, para Henrique, já ultrapassou a relação entre comerciante e cliente. Aqui, “os clientes quando entram já não são só clientes, são amigos”. 

Um negócio multifacetado 

A papelaria-livraria ganhou uma dimensão cultural através da colaboração com a biblioteca municipal e com as autarquias, que convidam a casa a receber escritores e a apresentar novidades ao longo do ano. “A nossa livraria está englobada na Rede Livreira Nacional e o espaço dedica-se a fazer tertúlias, apresentação de livros e várias coisas a nível cultural”, explica Henrique. 

Ao mesmo tempo, o negócio foi-se expandindo com novos espaços em concelhos vizinhos, sempre acompanhados pelos Jogos Santa Casa, uma mais-valia que o mediador agradece: “Obrigado à Santa Casa por nos proporcionar sermos agentes deles.” Os cerca de vinte trabalhadores, entre os quais a mulher, os filhos e a nora, provam que este crescimento também cria emprego e mantém viva uma casa que faz parte da história desta comunidade. 

Uma rede de confiança 

Henrique Silva é o oitavo protagonista da iniciativa “Histórias de Quem dá Sorte”, que ao longo de vinte semanas percorre o País. Como a Papelaria Adrião, a rede integra mais de 5.000 pontos de venda Jogos Santa Casa em Portugal. Em 2025, entregaram ao Estado cerca de 870 milhões de euros e 97,3% do valor gerado retornou à sociedade. 

Poucos mediadores, no entanto, conseguem dizer que transformam vidas de duas formas ao mesmo tempo: com livros que abrem mundos aos leitores, e com boletins que podem mudar tudo para os apostadores. 

Falta ainda o Euromilhões, o único grande prémio que Henrique diz não ter passado pelo balcão da loja, mas que pode estar a caminho. Até lá, continua a receber quem entra como um amigo, a guardar segredo acerca de quem ganha e a lembrar-se de que já lhe saiu a sorte grande: “Tenho saúde, tenho trabalho e faço o que gosto, é fantástico.” 

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